SUCEN - Superintendência de Controle de Endemias

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Doença

 

 

 

Agente Etiológico
Os parasitos do gênero Schistosoma são heteroxenos, ou seja, necessitam de dois hospedeiros, um intermediário e outro definitivo, para a evolução completa. O homem é a principal fonte de infecção da esquistossomose. O verme é esbranquiçado e possui sexos separados, com dimorfismo sexual evidente. Os machos, achatados tem 6,5 a 12 mm de comprimento, possuem um canal que comporta as fêmeas cilíndricas, com até 15 mm. Os ovos possuem casca transparente e espículo lateral. Por mecanismos ainda desconhecidos, os ovos migram até a luz intestinal contra a corrente sanguínea. A retenção de parte dos ovos nos tecidos desencadeia a formação de granulomas que são as alterações dos tecidos responsáveis pelo desenvolvimento doença. As fêmeas produzem de 100 a 300 ovos por dia, ou mais.
Em condições ótimas, o ciclo completo do parasito acontece em aproximadamente 40 dias, da infecção dos caramujos até a eliminação de ovos nas fezes.

 
 

Ciclo de vida


Representação esquemática do ciclo biológico de Schistosoma Fonte: modificado de CDC/Atlanta/USA

Biomphalaria glabrata é a espécie cuja relação parasita/hospedeiro é mais desenvolvida. A espécie é responsável pela manutenção de focos da endemia nos estados do Pará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e, mais recentemente, no Rio Grande do Sul. Biomphalaria straminea, espécie difundida da região amazônica ao sul do país, preserva uma grande quantidade de focos existentes na zona do semi-árido nordestino (caatinga). Em São Paulo, Rio de Janeiro e no sul de Minas Gerais, a transmissão também conta com a participação de Biomphalaria tenagophila.

Diagnóstico:
° Clínico
A sintomatologia e as características de patogenicidade são os principais indicadores do diagnóstico clínico da esquistossomose, pois os diferentes sítios de localização e desenvolvimento dos granulomas promovem alterações patológicas em órgãos distintos do sistema excretor ou digestivo.
Afora a clínica, o diagnóstico diferencial demanda a observação do formato, do tamanho e do posicionamento do espículo dos ovos de Schistosoma. Embora existentes, os detalhes da morfologia dos vermes adultos não são suficientemente conspícuos para a identificação precisa das espécies pertencentes ao gênero.

° Laboratorial
O diagnóstico de certeza depende da observação dos ovos nas fezes ou tecidos. Existem diversas técnicas sorológicas que indicam as infecções. O diagnóstico por meio de técnicas de ultra-som e imagem serve à detecção das conseqüências patológicas da doença.
A realização dos exames em amostras repetidas de fezes é aconselhável, tanto para a descoberta da infecção, como para a confirmação de tratamento, cuja eficiência depende da observação da inexistência ou inviabilidade dos miracídios nos ovos. Nos casos em que os ovos permanecerem viáveis recomenda-se novo tratamento.
As técnicas de diagnóstico em amostras de fezes disponíveis são as de Lutz (mais conhecida como ¿método de Hoffman, Pons e Janer¿), da eclosão de miracídios, que além da visualização, permite a observação da viabilidade, de Bell, Stoll, Simões Barbosa e o ¿método de Kato-Katz¿, elaborado originalmente por Kato & Miura e modificado por Katz, Chaves & Peregrino, que permitem a estimativa da intensidade das infecções medidas em ovos por grama de fezes (opg). A biópsia retal e hepática permite a detecção de ovos nos tecidos.
Os limites da eficácia das técnicas de diagnóstico coprológico dependem dos níveis de prevalência das áreas endêmicas de origem dos pacientes, do tempo da infecção e da quantidade de parasitos albergados no organismo. A eficácia também depende da regularidade das posturas de ovos e da possibilidade de infecções unissexuadas.
A intradermorreação, a fixação do complemento (ou de Fairley), a reação cercariana de Vogel-Minning, as reações de imunofluorescência, hemalutinação e floculação (ou precipitação) periovular destinam-se ao diagnóstico presuntivo.

Sintomas
Os sintomas mais freqüentes da fase aguda da esquistossomose mansônica são náuseas, vômitos, diarréia, febre, dor de cabeça, sudorese, astenia, anorexia e emagrecimento. Também são comuns as manifestações de tosse e disenteria acompanhada de incômodo, distensão ou dores no abdômen, de hipersensibilidade, como a urticária, prurido, edema da face, placas eritematosas ou lesões purpúricas. Excepcionalmente, na fase aguda acontecem quadros mais graves de icterícia ou abdômen agudo (fase aguda toxêmica).
Na fase crônica, a clínica é com ou sem hipertensão portal. O quadro clínico varia desde a ausência de alterações dinâmicas acentuadas a formas severas panviscerais com hipertensão porta, síndrome cianótica, glomerulopatias e pseudoneoplsias. A evolução crônica da esquistossomose resulta em ascite, edema e insuficiência hepática severa com desfecho em óbito porque a fibrose e a cirrose em torno do granuloma são irreversíveis.
Existem relatos manifestações eventuais graves de infecções ectópicas do sistema nervoso (neuroesquistossomose ou miolorradiculopatia esquistossomótica). Essa situação depende da migração errática dos ovos de S. mansoni resultando, entre outras seqüelas, no aparecimento de paralisias faciais.
Em São Paulo as manifestações clínicas da esquistossomose são discretas. A maioria dos casos detectados é assintomática e, mais eventualmente, os casos são oligossintomáticos ou agudos.
Nas formas clássicas, as manifestações gerais surgem, quase sempre, quando os vermes alcançam a maturidade, ou seja, 4 a 6 semanas após a infecção.
A suscetibilidade é universal, independente da idade, cor ou sexo e a aquisição de resistência é uma questão ainda não comprovada cientificamente.

Profilaxia
° Tratamento
As drogas recomendadas são a oxamniquine e o praziquantel. A administração se dá em dose única e proporcional ao peso da pessoa. No caso do praziquantel a recomendação é de 50 mg/kg para adultos e 60 mg/kg para indivíduos até 15 anos; a dosagem da oxamniquine é de 15 mg/kg para adultos e 20 mg/kg até a idade de 15 anos. Os efeitos colaterais mais freqüentes das duas drogas são tonturas, náuseas, e vômitos. Preferencialmente o tratamento é ambulatorial, com a pessoa alimentada, e para a observação de efeitos colaterais no período de pelo menos 1 hora. A administração das drogas é contra-indicada durante a gestação e amamentação, em crianças menores de 2 anos, em pacientes desnutridos ou anêmicos, na presença de infecções agudas ou crônicas intercorrentes, insuficiênci a cardíaca, hepática ou renal grave, hipersensibilidade e doenças do colágeno ou mentais (com uso de anticonvulsivantes ou neurolépticos) e epilepsia (convulsão).

° Controle
Como não existem vacinas eficientes contra a esquistossomose, o controle da endemia pressupõe o diagnóstico, o tratamento, o saneamento ambiental e a educação.

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