SUCEN - Superintendência de Controle de Endemias

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Doença

Descrição:

 

Doença febril aguda, de etiologia viral, transmitida por vetores artrópodes. O agente é um arbovírus, pertencente à família Flaviviridae. Alguns exemplos desta família incluem os vírus da Febre Amarela, Encefalite do Oeste do Nilo, Encefalite de St. Louis, Encefalite Japonesa e Rocio.
De curta duração, a doença apresenta evolução benigna na maioria dos casos. Caracteriza-se por um princípio brusco, podendo apresentar as seguintes formas clínicas: Dengue Clássico, Dengue Hemorrágico e Síndrome do Choque do Dengue. Recentemente se tem acrescentado mais uma forma, o dengue clássico com complicações. Atualmente é a mais importante arbovirose que acomete o ser humano, e constitui-se em sério problema de saúde pública no mundo. Ocorre em todos os continentes e  dissemina-se nas áreas tropicais e subtropicais, onde as condições do meio ambiente favorecem o desenvolvimento e proliferação do mosquito transmissor Aedes aegypti.

 

Histórico:

 

Embora existam relatos da ocorrência da doença há mais de 200 anos, com ampla distribuição nos trópicos, foi no século passado que a epidemia teve início no Sudeste Asiático, com descrição, na década de 50, da ocorrência de dengue hemorrágico nas Filipinas e Tailândia. Nas Américas, a partir da década de 1960, a circulação do vírus da dengue se intensificou, inicialmente com a detecção do sorotipo 2 e 3 em vários países. A introdução do sorotipo 1 data do final da década de 1970, com expansão para a maioria das ilhas do Caribe. Durante a década de 1980 foi confirmada a pluraridade antigênica, com a circulação dos 4 sorotipos, em epidemias explosivas desde o México até a Venezuela e Colômbia, passando por países da América Central e Caribe. Embora, até então, todos os sorotipos tivessem sido assinalados nas Américas, houve predominância do sorotipo 1 e 4, inclusive chegando ao Brasil, dando origem ao primeiro episódio epidêmico com comprovação laboratorial, no Estado de Roraima. Nesta mesma década foi constatada ocorrência de epidemias em países, até então, sem histórico de dengue, como: Bolívia (1987), Paraguai e Equador (1988). Peru, Panamá e Costa Rica foram acometidos na década seguinte. O dengue hemorrágico afetou Cuba, em 1981, caracterizando o mais importante evento na história do dengue nas Américas, acometendo 344.203 pessoas, das quais 10.312 com dengue hemorrágico, associados ao sorotipo 2, resultando em 158 mortes. Entre 1981 e 1996, foram notificados 42.171 casos de dengue hemorrágico, em 25 países, sendo mais de 50% procedentes de Cuba e Venezuela.
No Brasil, há referências de epidemias no século XIX e relatos em São Paulo em 1916 e em Niterói em 1923, sem comprovação laboratorial. Após o episódio circunscrito a cidade de Boa Vista, Roraima, em 1981, o dengue retorna em 1986, inicialmente no Rio de Janeiro e posteriormente em algumas capitais do Nordeste. Até 1990 foi observada ampla disseminação do sorotipo 1, com agravamento do quadro epidemiológico nacional, a partir de então, com a introdução e expansão, em várias regiões do país, do sorotipo 21. Durante a década de 1990 ocorreu um significativo aumento da incidência da doença em decorrência da dispersão do transmissor Aedes aegypti no país e da disseminação dos sorotipos 1 e 2, com agravamento da situação nos grandes centros urbanos das regiões sudeste e nordeste do Brasil, principalmente. No final de 2000 foi detectada a presença do sorotipo 3 do dengue no Rio de Janeiro e em 2001 no estado de Roraima, disseminando-se nos primeiros meses de 2002 para quase todo o território nacional. Atualmente a transmissão de dengue ocorre em 26 dos 27 estados do país (apenas o estado de Santa Catarina está, até o momento, sem registro de transmissão). No início da década de 1990 foram confirmados os primeiros casos de dengue hemorrágico no Rio de Janeiro e outras cidades deste estado, atingindo posteriormente o Nordeste.  No entanto, apesar da grande extensão da epidemia de dengue hemorrágico, a proporção de casos graves que exigissem internações hospitalares foi pequena, da ordem de 0,05%.
No Estado de São Paulo, a transmissão de dengue foi detectada pela primeira vez em 1987, nos municípios de Guararapes e Araçatuba. No verão de 1990/91 foi registrada uma epidemia de grandes proporções, com início em Ribeirão Preto, que rapidamente se expandiu para municípios vizinhos e outras regiões, com a confirmação de 6.701 casos em 59 municípios. A partir de então, as epidemias de dengue vêm ocorrendo todos os anos no Estado. As maiores incidências ocorrem nos meses de verão, com pico em março e abril, mais recentemente estendendo-se nos meses de maio e junho, sem interrupção em alguns municípios nos quais a doença já adquiriu caráter de endemicidade. Até 1996, as epidemias eram devidas ao sorotipo 1. A introdução do sorotipo 2 se deu neste ano, e a do sorotipo 3 em 2002, marcando sobremaneira os níveis de transmissão observados, com a ocorrência de casos graves. Na história recente do convívio da população paulista com dengue, destacam-se o início da transmissão na Baixada Santista a partir de 1997, que nos anos seguintes passou a constituir a região mais importante de transmissão, atingindo seu ápice em 2002, quando respondeu por 69% dos casos do Estado; e na Grande São Paulo em 2002 com elevada incidência já em 2003, sendo responsável por 44% da transmissão do Estado. O primeiro caso de dengue hemorrágico foi confirmado em 1999. Nos anos seguintes: 2, 5, 31 e 20, respectivamente em 2000, 2001, 2002 e 2003.

 

Agente Etiológico:

 

O agente é um arbovírus, termo que designa organismos que são transmitidos por artrópodes, pertencente à família Flaviviridae, que reúne 68 espécies, das quais cerca de 30 causam doenças ao homem. São conhecidos 4 sorotipos causadores de dengue, classificados como: DEN-1, 2, 3 e 4. Todos já foram identificados em território paulista.

 

Modo de Transmissão:

 

O mosquito, ao picar uma pessoa doente, infecta-se com o vírus da dengue, assim permanecendo para o resto de sua vida. Quando vai alimentar-se novamente, de uma pessoa sadia, injeta juntamente com sua saliva, o vírus da doença, completando o ciclo de transmissão.

 

Período de Incubação:

 

No homem, período de incubação é o tempo que decorre desde a picada infectante e o aparecimento de sintomas podendo variar de 3 a 15 dias, sendo, em média, de 5 a 6 dias.

 

Distribuição Geográfica:

 

Há relatos de casos de dengue em todos os continentes desde o século passado. Pode-se dizer que a faixa de ocorrência da doença acompanha a faixa de distribuição dos vetores. Destacam-se como áreas com transmissão importante, o sudeste asiático, logo após a segunda guerra mundial e a região do Caribe, a partir dos anos 1970.

 

 

 

 

 

 

 

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