Instituto de Saúde

A A A Tamanho do texto

Fiocruz, em parceria com o IS, divulga novos estudos sobre Práticas Integrativas e Complementares disponíveis no SUS

 

 

6 de outubro de 2020

 

A Fiocruz Brasília, em parceira com o Instituto de Saúde de São Paulo, vem realizando desde o ano passado uma série de revisões rápidas sobre Práticas Integrativas e Complementares (PICS), buscando comprovar sua eficácia e segurança, uma vez que o Ministério da Saúde incluiu essas práticas no SUS (Sistema Único de Saúde).

 

PICS são consideradas práticas e terapias que complementam as terapias convencionais, ajudando a restaurar o equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual, como práticas milenares orientais, homeopatia, entre muitas outras. É importante sinalizar, contudo, que elas não substituem medicações e terapias indicadas por especialistas, apenas buscam complementar o tratamento, visando o bem-estar do paciente.

 

O Centro de Tecnologias de Saúde para o SUS/SP disponibilizou três documentos apontando evidências sobre o efeito da meditação ou o mindfulness no tratamento de algumas enfermidades que vem aumentando no mundo contemporâneo.

 

Antes de expor os resultados é importante entender qual o significado dos conceitos meditação e mindfulness.

 

Meditação é uma prática que consiste no foco da atenção para o momento presente, de modo não analítico ou discriminativo, podendo ser dividida em dois tipos: meditação concentrativa, que se limita à atenção a um único objeto (respiração, som ou imagem) e o mindfulness (atenção plena), que trata da percepção e observação de estímulos, como pensamentos, sentimentos e/ou sensações.

 

Ambas buscam trazer benefícios para o fortalecimento físico, emocional, mental, social e cognitivo. Dessa forma, normalmente são indicadas para estímulo do bem-estar, relaxamento, redução do estresse, da hiperatividade e dos sintomas depressivos.

 

Partindo desse pressuposto foi analisada sua eficácia em adultos e idosos no tratamento da obesidade, doenças cardiovasculares e a ansiedade e depressão.

 

Meditação/Mindfulness e a obesidade

 

As informações para a pesquisa foram retiradas de seis bases de dados, com revisões sistemáticas, um método utilizado na avaliação de um conjunto de dados oriundos de diferentes estudos com o objetivo de responder uma questão específica, em português, inglês e espanhol.

 

Dos 60 relatos encontrados nas bases, foram incluídas três revisões sistemáticas que atenderam aos critérios de elegibilidade, sendo uma com meta-análise, que são análises estatísticas de resultados de diferentes estudos individuais, com o intuito de combinar e resumir seus resultados em uma única análise.

 

Todas as revisões apresentaram resultados sobre o uso de mindfulness no tratamento de obesidade, mas houve poucos resultados sobre meditação.

 

O uso do mindfulness associado ou não a outras terapias teve efeitos favoráveis para perda de peso, redução do IMC, melhora do comportamento alimentar e fome emocional.

 

A meditação mostrou ser benéfica para a redução de peso corporal.

 

Meditação/Mindfulness e o tratamento de doenças cardiovasculares

 

Esse documento busca encontrar evidências de que a prática da meditação pode ser benéfica para o tratamento complementar de doenças cardiovasculares.

 

As buscas foram realizadas nas bases de dados Pubmed, HSE - Health Systems Evidence, HE - Health Evidence, Portal Regional da BVS, Epistemonikos e Embase, em 10 de outubro de 2019. Foram incluídas revisões sistemáticas, com ou sem meta-análises publicadas em inglês, espanhol e português.

 

De 207 artigos identificados nas bases de dados, dez revisões sistemáticas foram selecionadas, sete delas com meta-análises.

 

As revisões sistemáticas selecionadas apresentaram alguns resultados favoráveis à prática de diferentes tipos de meditação e mindfulness para o tratamento de doenças cardiovasculares, particularmente com relação à hipertensão arterial.

 

Os estudos mostraram reduções significativas da pressão arterial, principalmente em pacientes com hipertensão ou pré-hipertensão.

 

Essas práticas integrativas resultaram também em melhora na saúde mental, como ansiedade, depressão, angústia e estresse em pessoas com condições relacionadas a doenças cardiovasculares.

 

Meditação/Mindfulness e a ansiedade e depressão

 

A pesquisa utilizou cinco bases de dados. A partir de 946 relatos identificados nas bases de dados, 48 foram selecionados e lidos na íntegra e entres esses,19 incluídos na revisão rápida.

 

Em pacientes com transtornos de ansiedade, duas revisões mostraram efeitos favoráveis à prática de mindfulness e duas não identificaram diferenças. Resultados positivos de meditação ou mindfulness também foram apontados para ansiedade ou depressão relacionadas a outras condições de saúde.

 

O uso de mindfulness em transtornos depressivos se mostrou eficaz. No entanto, os resultados foram conflitantes para meditação.

 

Existem menos estudos sobre a eficácia de meditação ou mindfulness para transtornos de ansiedade e os resultados a favor dessas tecnologias é menos consistente.

Comunicar Erro




Enviar por E-mail






Colabore


Obrigado