Instituto de Saúde

A A A Tamanho do texto

#Fakenews: É falsa mensagem sobre médicos italianos descobrirem a cura da COVID-19 

 

 

29 de setembro de 2020 

 

No contexto atual da pandemia de COVID-19, o acesso a informações claras e objetivas é de vital importância, tanto para o planejamento pelos gestores da saúde quanto para a população proteger-se do contágio. Ocorrem, porém, práticas sistemáticas de disseminação de informações falsas ou distorcidas, de origem oculta ou desconhecida. 

 

A mensagem que será analisada aqui foi disseminada principalmente por esse meio - como também pelo Facebook e Twitter - a partir de 23 de maio de 2020, e compartilhada cerca de 4 mil vezes desde então.   

  

Essa é uma das mensagens com o mesmo teor que foi propagada nas redes sociais italianas:   

  

 

  

Conferimos as principais afirmações elencadas na mensagem buscando informações e evidências científicas que possam confirmar ou não sua veracidade. 

  

¿ A Itália encontrou a cura para a COVID-19: Falso  

O governo italiano emitiu uma nota em 29 de maio desmentindo essa            afirmação, destacando o fato de não haver até o momento nenhum medicamento ou terapia disponível para o tratamento da patologia, senão para o controle de seus sintomas. Também reitera que a Agência Italiana de Medicamentos (AIFA) disponibiliza publicamente informações sobre medicamentos que estão em fase de testes para a COVID-19, além daqueles já aprovados para o manejo de seus sintomas.   

  

  

¿ A COVID-19 é uma trombose: Falso  

Estudos na Itália, França, Holanda e Irlanda de fato mostram a presença de coágulos sanguíneos em um número expressivo de vítimas da COVID-19, relacionando-os com problemas de circulação e trombose. O estudo italiano citado pela agência AFP, no entanto, reafirma que os casos graves da doença são acompanhados necessariamente de pneumonia. O estudo mencionado na mensagem não foi publicado, o que impede sua averiguação por meios científicos que possam legitimá-lo. Assim, apesar de estar confirmada a presença de complicações envolvendo aspectos circulatórios na COVID-19, os estudos não são conclusivos a esse respeito, e não se comparam à presença marcante do desenvolvimento de pneumonia nos casos mais graves.   

  

  

¿ O tratamento da doença seria realizado com antibióticos, anti-inflamatórios e anticoagulantes: Enganoso   

O napronax (naproxeno) e a aspirina não constam da lista de medicamentos essenciais para o tratamento de pacientes admitidos nas unidades de terapia intensiva com suspeita ou diagnóstico confirmado de COVID-19, publicada em março de 2020 pela Organização Pan-Americana de Saúde. O paracetamol (acetaminofeno) aparece na lista, porém para tratar a febre, não a infecção por coronavírus. Por se tratar de um vírus, os antibióticos também recomendados pela mensagem não seriam eficazes, pois são utilizados contra bactérias.  

  

  

¿ Os ventiladores são instrumentos desnecessários no tratamento da        COVID-19: Falso  

De acordo com o guia da OMS sobre o tratamento clínico da infecção             respiratória aguda (IRAG), “embora a maioria (81%) das pessoas com COVID-19 apresente quadros leves sem complicações […] aproximadamente 5% devem ser tratadas em unidades de tratamento intensivo (UTI). Dos doentes críticos, a maior parte requer ventilação mecânica. O diagnóstico mais frequente nos pacientes com COVID-19 grave é a pneumonia grave”. Para o seu uso, porém, não existe não uma recomendação única, de acordo com um documento do Centro Nacional de Informação Biotecnológica dos Estados Unidos, mas sim situações diferentes de utilização.  

¿ “Os médicos italianos desobedeceram à lei mundial de saúde da OMS para realizar uma autópsia” : Falso  

O trecho da mensagem que circulou pela internet dizia que “os médicos italianos desobedeceram a lei de saúde global da OMS para realizar uma   autópsia”. Percebemos aqui duas informações a serem refutadas ou não. A de que existe uma “lei de saúde global” e a de que os médicos teriam desobedecido essa lei. Ao investigarmos sobre a “lei de saúde global da OMS”, não foi encontrada nenhuma evidência, a não ser um protocolo da OPAS que orientava sobre procedimentos no contato com cadáveres infectados por coronavírus. Países como o Brasil implementaram protocolos para a necrópsia de pessoas falecidas em decorrência da COVID-19, comprovando que não é “crime’ realizar essas autópsias no contexto da pandemia (Ministério da Saúde, 2020).  

  

¿ “O coronavírus não é um vírus, e sim uma bactéria”: Falso  

Segundo portais oficiais como o da OMS, Instituto Pasteur da França, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, e o próprio Ministério da Saúde da Itália, o coronavírus é um vírus respiratório. O Ministério da Saúde brasileiro também define os coronavírus como “uma grande família de vírus comuns em muitas espécies diferentes de animais, incluídos camelos, gado, gatos e morcegos”. 

¿ “Radiação das redes 5G propagarem o vírus”: Falso  

Em uma das versões da mensagem analisada, há uma referência à “radiação das redes 5G propagarem o vírus”, o que é negado pela OMS, mesmo porque nos países que não possuem essa tecnologia disponível, o vírus continua se espalhando. A instituição reafirma que a forma de transmissão cientificamente comprovada é o contato com a pessoa infectada.   

 

Importante salientar que não só esse, como outros mitos sobre uma das maiores pandemias já presenciadas pela humanidade, são desmentidos no portal da OMS, com vídeos informativos e imagens de fácil compreensão, para informar corretamente a população, de maneira clara e acessível.  

 

*Essa checagem foi realizada por Bruno Tarpani, Camila da Silva Bezerra Santos e Daniela Saraiva da Clara, alunos do curso de Especialização em Saúde Coletiva do Instituto de Saúde, na disciplina de Comunicação em Saúde. A edição foi realizada pela equipe do Núcleo de Comunicação Técnico-Científica do IS.  

 

Referências  

 

AGÊNCIA LUPA. É falso que autoridades italianas descobriram que Covid-19 é causada por bactéria, 2020. Disponível em:      https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/05/15/verificamos-bacteria-coronavirus/. Acesso em 02/09/2020. 
 
AFP CHECAMOS. A Itália não encontrou a cura da COVID-19 e outras afirmações falsas de uma mensagem viral. 2020. Disponivel em: https://checamos.afp.com/italia-nao-encontrou-cura-da-covid-19-e-outras-afirmacoes-falsas-de-uma-mensagem-viral. Acesso em 02/09/2020.  

  

Alhazzani W, Møller MH, Arabi YM, et al. Surviving Sepsis Campaign: Guidelines on the Management of Critically Ill Adults with Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). Crit Care Med. 2020;48(6):e440-e469. doi:10.1097/CCM.0000000000004363  

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sobre a Doença. 2020. Disponível em:         https://coronavirus.saude.gov.br/sobre-a-doenca . Acesso em 03/09/2020.  

OMS. Novo Coronavírus, 2019. Disponível em:      https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/advice-for-public/myth-busters . Acesso em 03/09/2020.  

OPAS. Lista de Medicamentos Essenciais para o Tratamento de Pacientes          Admitidos nas Unidades de Terapia Intensiva com Suspeita ou Diagnóstico          Confirmado da covid-19 (LMEUTI-COVID-19), 2020.  

OPAS. Prevenção e controle de infecção para manejo de cadáveres no contexto da COVID-19, 2020. disponível em:    https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/51981/OPASBRACOVID1920028_por.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso 03/09/2020 

 

Núcleo de Comunicação Técnico-Científica

Comunicar Erro




Enviar por E-mail






Colabore


Obrigado