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Aldeias guaranis em SP cobram medidas contra o novo coronavírus

28 de maio de 2020

*Com informações da CNN Brasil

 

Duas aldeias guaranis da capital paulista sofrem com descaso em relação a COVID-19. Um bebê de um ano e mais quatro crianças com menos de seis anos foram internadas com suspeita do novo coronavírus, porém apenas após um mês os pais do bebê obtiveram o resultado do teste do filho confirmando a doença.

 

“Muita preocupação e medo. Estava fazendo remédio para minha sobrinha de 14 anos que deu positivo da Covid-19. As pessoas precisam saber que precisam lutar por esses que lutam há mais de 500 anos pela vida de todos”, contou a liderança indígena Jera Guarani, de 38 anos.

 

O número de confirmados com a doença é 19, com mais quatro casos suspeitos em análise. A população total de Tenondé Porã tem cerca de dois mil indígenas, com 35 leitos disponíveis para atender os doentes. Os casos mais graves são encaminhados para o Hospital Geral de Pedreira, a 35 km dali.

 

De acordo com Nayara Scalco, pesquisadora do Instituto da Saúde e doutora especialista em saúde indígena pela Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) as doenças respiratórias são a principal causa de internação de indígenas das aldeias. A pesquisadora alerta que é fundamental investigar o porquê tantas crianças foram internadas com a COVID-19.

 

"É preciso lembrar que trata-se de aldeias circunscritas, em territórios pequenos, com um modo de vida coletivo, de compartilhamento. Suas estruturas de casas e da própria aldeia, muitas sem condições adequadas de saneamento, nem sempre propiciam o isolamento e os cuidados preventivos de higiene. A importância do poder público garantir para esta população o acesso aos equipamentos de proteção individual, condições para que eles permaneçam nas aldeias e suas comunidades, e o acesso aos testes rápidos e assistência à saúde adequada e em tempo oportuno é fundamental para o controle da pandemia nas aldeias do estado e nos coletivos de indígenas que moram na cidade da Grande São Paulo, como, por exemplo, no Parque Real.", explica Nayara.

 

As aldeias em São Paulo são as únicas em que os profissionais da equipe multidisciplinar da saúde indígena são contratados pela Prefeitura e não pelo Ministério da Saúde, o que obriga cada aldeia pressionar o município para garantir assistência.

 

Nayara explica que o modo de vida e as condições de infraestrutura das terras indígenas guaranis e suas aldeias é coletivo e se baseia no compartilhamento de espaços e objetos. Por isso, se faz urgente que o poder público pense e articule um plano específico para as populações indígenas respeitando essas particularidades.

 

 

Núcleo de Comunicação Técnico-Científica

 

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